Poema: Sina da Morte 🖋️

I.

Meu santo é a morte,
Meu santo de devoção é a morte,
Meu anjo da guarda é a morte,
Assim como minha cabala e meu santo sudário,
Meu escapulário, e os vitrais da catedral do meu batizado exaltam a morte,
A minha morte lenta,
E a via inteira da minha cruz sem Lorena só leva à morte emboscada,
A minha cruz sem bispado com a morte encontrada,
O meu santo sepulcro também é o meu leito de morte,
O leito profundo e escuro do rio da morte,
Onde jaz a minha sina,
Onde jaz a fria lápide da morte minha vizinha,
Minha inquilina,
Meu santo sepulcro caiado de branco,
Minha senhoria vassala de Deus.

II.

Esta não era a minha sorte,
Nem a minha fortuna,
Meu presságio de corvos no céu,
Minha coruja no pio,
Minha lástima e lágrima de amor,
Das almas santas do cruzeiro de Deus,
O meu amor nasceu morto sem Deus,
E esta não era mesmo a minha cinza.


Nota gerada pelo Manus em 09/04/2026.